"Ufa, vencemos..."

Pittsburgh recebeu Cleveland em uma noite gelada na Pensilvânia para um confronto importantíssimo na luta pelo titulo da divisão. E venceu o time da casa, em noite épica de Ben Roethlisberger, onde o quarterback jogou todo o segundo tempo da partida mancando, após ter lesionado seu tornozelo esquerdo no segundo quarto da partida.

Há momentos na temporada onde certos times, chamados “Super Bowl contenders”, têm suas provações. Se você passa por elas, você reafirma sua condição de ‘top team’, encarna um espírito vencedor e assume uma ‘aura’ de campeão. E foi isso que eu vi no time de Pittsburgh ontem. Vai ser o campeão? Não sei, talvez não. Mas, vencer como venceu, lutar como o time lutou, a despeito de todas as lesões e circunstâncias negativas que aconteceram na partida, é para poucos. Poucos e bons times.

O Browns começou com a bola e chocou o Heinz Field ao marcar primeiro com o touchdown com Colt McCoy. Porém, o quarterback havia encostado o joelho no chão antes de cruzar o plano de gol e a marcação de campo (TD) foi invalidada. A defesa do Steelers, então, apareceu bem e o time visitante anotou apenas um field goal. Seriam os 3 únicos pontos de Cleveland na partida. Na campanha seguinte ao field goal do Browns, o time da casa anotou, em pouco mais de três minutos, o seu touchdown com o wide receiver Jerricho Cotchery. Defesa aparecendo bem e ataque eficiente na resposta suscitavam a expectativa de um massacre. Quem não viu o jogo e vê 14-3 no placar pensa: “daí pra frente, foi uma surra, né?” Nem de longe, amigo. Dali pra frente foi um jogo tenso até o fim. Nas três posses de boa seguintes ao TD, os dois times sofreram 3 turnovers: dois fumbles para o Steelers, com o wide receiver Hines Ward e o tight end Heath Miller; uma interceptação para Colt McCoy, dentro da redzone. Nenhum dos turnovers, porém, foi aproveitado. O restante do segundo quarto não teria muito mais a ser relatado, não fosse a assustadora lesão de Ben Roethlisberger. O quarterback de Pittsburgh sofreu uma entorse no tornozelo esquerdo após um defensor de Cleveland cair sobre sua perna e foi direto para o vestiário com suspeitas de fratura. O primeiro tempo terminou com Charlie Batch, QB reserva, no comando do ataque de Pittsburgh. Mas, apesar da vantagem de 7-3, ninguém no Heinz Field estava lá muito confiante na vitória com Batch no comando.

A confiança só votou quando os times reapareceram no gramado para o segundo tempo e a torcida olhou para o lado amarelo e preto e viu Big Ben de shouder pad e helmet, pronto para iniciar o segundo tempo. “Pronto” é modo de dizer. O quarterback do Steelers voltou mancando, com uma dificuldade incrível para se movimentar e lançar/entregar a bola para os running backs. Mesmo assim, Ben conduziu sua campanha muito bem, até a linha de 30 do campo adversário, mas a linha ofensiva do Steelers cometeu mais uma de suas inúmeras faltas e enterrou o drive. Na seqüência, Cleveland seguiu sofrendo com os drops de seu receiving corp, especialmente dos wide receivers  Greg Little e Mohamed Massaquoi, e foi para o punt pouco antes do fim do terceiro quarto. De lá, Ben Roethlisberger, mesmo mancando, conseguiu completar 5 passes para 79 jardas para conduzir uma campanha que chegaria até a linha de 1 jarda  do campo adversário. Mike Tomlin, treinador do Steelers, iria para o field goal, mas Ben pediu para tentar a 4ª descida e não conseguiu converter. Após esta ótima aparição da defesa do Browns, foi a vez da defesa do Steelers aparecer bem e forçar o punt. Em uma ótima posição de campo (39 jardas do campo do adversário) o Steelers podia ter anotado, pelo menos, um field goal, mas novamente a linha ofensiva surgiu e cometeu um ‘holding’, jogando a campanha no lixo. A coisa ficou ainda pior quando Big Ben, logo na seqüência, foi interceptado pelo safety Mike Adams. O turnover gerou uma campanha longa, mas acabou não dando em nada, porque Colt McCoy também foi interceptado, dentro da endzone. Com pouco mais de 3 minutos no relógio, Pittsburgh precisava de pelo menos um field goal para controlar a partida, com um TD de vantagem. E Big Ben precisou de apenas 19 segundos para conduzir a campanha da vitória: um passe complicado para Antonio Brown que deixou o seu marcador no chão e transformou um passe de 13 em um passe de 79 jardas. Final espetacular para uma partida tensa até os últimos instantes. Vitória épica do Pittsburgh Steelers, que ainda não classifica, mas encaminha muito bem sua ida para os playoffs.

Pittsburgh tem em Big Ben um grande líder. Com ele em campo, mesmo machucado, não só o jogo aéreo voltou a funcionar, mas o jogo terrestre também teve uma mudança impressionante. A impressão que se tinha é que os jogadores haviam assumido o espírito de guerreiro incutido no time por Ben estar jogando nas condições físicas que estava jogando. Ademais das nuances psicológicas da partida, Big Ben fez uma excelente partida: 76,1% nos passes, 280 jardas, 2 TD’s e 1 INT. O running back Rashard Mendenhall teve boa participação, com 76 jardas em 18 carregadas. Mas, o destaque ofensivo da partida fica por conta do wide receiver Antonio Brown, que fez a melhor partida de sua carreira: 151 jardas em 5 recepções e 1 TD. Foi dele o touchdown da vitória. Defensivamente, a se destacar a ótima partida do linebacker Jason Worilds: 9 tackles, 2 sacks e 1 fumble forçado. Um dos poucos a funcionar no pass rush do Steelers na noite de ontem.

Cleveland segue com os mesmos problemas das últimas partidas: Peyton Hillis correndo quase nada, receiving corp dropando passes e Colt McCoy tomando decisões ruins na redzone. Aliás, se você parar pra observar, a expressão de Colt McCoy quando chega perto da endzone é uma expressão de medo, apreensão. Pode ser impressão minha, mas foi o que eu vi segundos antes de ele lançar uma interceptação na endzone no último quarto da partida. McCoy terminou a partida com 18 de 35 passes completados para 209 jardas, nenhum TD e 2 INT. O tight end Even Moore foi principal recebedor do time, com 4 recepções e 55 jardas. O jogo terrestre do time foi irregular, principalmente pela má atuação de Peyton Hillis (25 jardas) e Montario Hardesty (24 jardas). A defesa do Browns foi muito bem, forçando 3 turnovers, além de ter parado uma 4ª descida em sua própria linha de 1 jarda. Talvez pudesse ter pressionado melhor Big Ben no segundo tempo, tendo em vista suas péssimas condições clínicas, mas não dá pra macular uma atuação tão consistente por causa disso. Destaque para o linebacker D’Qwell Jackson, com 13 tackles, 1 sack e 1 fumble recuperado.
Na próxima semana, Pittsburgh vai até San Francisco encarar o embalado Niners. Cleveland continua com o pé na estada e vai até Arizona, enfrentar o Cardinals.

O que deu certo

Cleveland Browns: Defesa. Foram 3 turnovers forçados e isso quebrou o ritmo do ataque do Steelers, embora nenhum deles tenha gerado pontos, tal a péssima atuação do ataque de Cleveland na noite de ontem. A única ressalva fica por conta do escorregão do Joe Haden na marcação de Antonio Brown, no touchdown que sacramentou a vitória de Pittsburgh.

Pittsburgh Steelers: Ben Roethlisberger. Poucos jogadores na NFL jogam com tanta intensidade como esse cara joga. Nenhum outro QB na NFL seria capaz de fazer o que Ben fez ontem. É um prazer vê-lo jogando com tanta paixão pelo jogo.

O que deu errado

Cleveland Browns: Redzone. Quando você enfrenta um rival mais forte que você, sua única chance de ganhar é aproveitar todos os erros que ele cometer. O Steelers cometeu vários e Cleveland não aproveitou um sequer. Por isso, perdeu uma partida “vencível”. Foram duas aparições na redzone, mais especificamente dentro da linha de 10 jardas do campo adversário. Mas, as faltas e a ineficiência do ataque puseram tudo a perder.

Pittsburgh Steelers: Faltas. Pittsburgh pediu pra perder. Cometeu 12 faltas e cedeu 97 jardas em penalidades. A linha ofensiva foi a principal responsável pela façanha, tendo cometido metade (6) das faltas. Três dessas, cortesia de Chris Kemoeatu (2 ‘holdings’ e 1 ‘uso ilegal das mãos’).

Para ficar de olho

Cleveland Browns: Saúde de Peyton Hillis. Ele está 100% recuperado da lesão de verdade? Não parece. Após ter sofrido da “Peyton’s Curse”, o principal running back de Cleveland nem de longe lembra o velho Peyton Hillis. Acho que já passou da hora de Pat Shurmur (treinador do time) dar mais snaps para Montario Hardesty e Chris Ogbonnaya. Hillis está morto para esta temporada.

Pittsburgh Steelers: Jerricho Cotchery. Ele é quase um “intruso” no ótimo receiving corpo de Pittsburgh. Ouve-se muito falar da explosão de Mike Wallace, da evolução de Antonio Brown, da experiência de Hines Ward e Heath Miller. Mas, Jerricho Cotchery tem aparecido em momentos importantes da temporada. Em um papel muito diferente do protagonista que foi no Jets de 2008, o coadjuvante Cotchery pode ser um trunfo importantíssimo para o Steelers na pós-temporada.

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