Um M&T Bank lotado viu um passeio do time da casa, o Baltimore Ravens, sobre o Indianapolis Colts. Novamente líder da AFC Norte, Baltimore teve uma atuação ofensiva muito convincente, além, é claro, de uma atuação brilhante de sua defesa, só pra variar um pouco. Aliás, diga-se: é impressionante o que a defesa do Ravens vem jogando, a despeito do desfalque de seu líder, o linebacker Ray Lewis. Pela quarta semana consecutiva fora, Lewis viu da sideline o massacre defensivo do time da casa sobre Dan Orlovsky e cia.

O primeiro first down do Colts conseguido através de seu ataque (e não por faltas do Ravens) veio apenas na metade do segundo quarto e isto já diz algo sobre o que foi a partida. Pouco mais de 3 minutos foram suficientes para que Baltimore abrisse o placar em sua primeira campanha, com o quarterback Joe Flacco encontrando o wide rceiver Torrey Smith. O calouro fez um baita primeiro tempo, mas desandou a dropar passes na segunda etapa. Punt do Colts e mais uma campanha bem sucedida do Ravens. Desta vez, o criticado kicker Billy Cundiff converteu um field goal que colocava a partida em 10-0. O time da casa jogava muito bem, misturando passes curtos para o running back Ray Rice e passes médios com Torrey Smith. O segundo quarto começou com a velha rotina: Colts chutando punt e Baltimore anotando pontos. Desta vez, mais um touchdown, de Ray Rice em excelente corrida de 6 jardas. O décimo TD de Rice na temporada colocou a diferença em 17 pontos. Na campanha seguinte, Indianapolis chegou pela primeira vez na redzone adversária. Chegou na linha de 4, para ser mais preciso, mas não conseguiu o touchdown. Com o field goal de Adam Vinatieri, a partida foi para o intervalo em 17-3. Um 17-7, talvez, mas 17-3… O jogo acabou ali para o Colts.

Na segunda etapa, Torrey Smith sumiu, mas o wide receiver Anquan Boldin, junto a Ray Rice, apareceu e não deixou o ritmo do ataque de Baltimore cair. Mas, quem marcou logo no início do terceiro quarto não foi nenhum dos dois e sim o tight end Dennis Pitta. Em ótima tarde, o quarterback Joe Flacco se livrou da pressão, saiu do pocket e esperou até o último segundo para fazer o passe para o tight end colocar 24-3 no placar. Dali pra frente foi um show defensivo do Ravens. Muita pressão, domínio do espaço aéreo e Terrell Suggs “possuído”. O linebacker do Ravens anotou 3 sacks e 3 fumbles forçados e o coitado do quarterback do Colts, Dan Orlovsky, só foi ter sossego lá para o fim do último quarto, através do no-huddle ofense, que gerou o primeiro e único touchdown de Indianapolis (pelo tight end Jacob Tamme) e o último da partida.

Acredite se quiser, o Colts está sentindo a falta de Peyton Manning (jura?). Brincadeiras à parte, a derrota não veio sem luta, diga-se. O Colts lutou, tentou, arriscou, mas enfrentou um adversário que quer ir para o Super Bowl e está jogando um football de alto nível para justificar este anseio. Se Indianapolis estivesse com um quarterback reserva, mas com um bom jogo terrestre, até dava pra ter jogo. Mas, se com Peyton Manning o jogo corrido, com Joseph Addai, já era ridículo, a coisa não ia mudar com Dan Orlovsky, Curtis Painter e cia. Pierre Garçon foi o wide receiver mais eficiente do Colts, com 46 jardas em 5 recepções. A defesa conseguiu forçar dois turnovers, mas foi engolida pela excelente mistura entre corridas, passes curtos e médios de Baltimore na partida.

Baltimore está jogando para ir para o Super Bowl. Digo, está jogando com uma consistência impressionante, de quem tem o Super Bowl como obcessão. A defesa está em excelente forma, o ataque está sendo muito consistente. Dando nome aos bois, Terrell Suggs vem fazendo jogos espetaculares nas últimas semanas. É a ele que se deve atribuir o fato de que a defesa não caiu de nível (pelo contrário, melhorou) com a lesão de Ray Lewis. Suggs anotou impressionantes três sacks e três fumbles forçados contra Indianapolis. Ofensivamente, Ray Rice tem sido excelente. Na partida, o running back passou das 100 jardas pela segunda partida consecutiva (103) e anotou 1 TD.  Outro que vem jogando muito bem é Joe Flacco. Passes curtos produtivos, passes médios precisos, Flacco vem conduzindo o ataque muito bem. A despeito de sua interceptação do terceiro quarto, o quarterback fez uma bela partida e terminou com 23 de 31 passes completados para 227 jardas e 2 TD’s.

Na próxima semana, Baltimore vai até San Diego encarar o embalado Chargers. O Colts tem uma parada duríssima em Indianapolis contra Tennessee.

O que deu certo

Indianapolis Colts: Retornos de kickoff. Se tem UMA (única) coisa que deu muito certo na partida para o Colts foi o retorno de kickoffs. O calouro Joe Lefeged retornou 120 jardas em apenas 4 retornos, incluindo um de 51 jardas. Não foi por falta de boa posição no campo que o ataque de Indianapolis não andou.

Baltimore Ravens: Terrell Suggs. Esqueça a liderança, a agressividade, a potência de Ray Lewis. O cara dessa defesa se chama Terrell Suggs. Ele vem fazendo uma temporada fantástica e seus três sacks nesta partida já o colocam como top 5 da NFL neste quesito. Além disso, foram 3 fumbles forçados e agora ele lidera a NFL (junto a Cliff Avril do Lions) com 6 fumbles forçados na temporada.

O que deu errado

Indianapolis Colts: Adversário. Simples, o time enfrentou o adversário errado na hora errada. Sério, mesmo se Peyton Manning estivesse saudável e tivesse jogado ontem, duvido muito que Baltimore não vencesse a partida jogando o que jogou (e o que vem jogando).

Baltimore Ravens: Turnovers. Devolver a bola para o adversário nunca é bom, nem com jogo vencido e consumado. Ray Rice sofreu um fumble minutos depois de Joe Flacco ter sido interceptado. Contra um ataque mais consistente, pensando em uma pós-temporada, por exemplo, a vitória “assegurada” iria para o espaço.

Para ficar de olho

Indianapolis Colts: Joe Lefeged. Além de ter feito uma ótima partida retornando passes, o calouro anotou sua segunda interceptação na temporada. O treinador do Colts Jim Caldwell chegou a se declarar insatisfeito com a atuação do rookie como retornador de chutes da equipe, mas Joe parece ter se redimido com essa atuação.

Baltimore Ravens: Torrey Smith. Ele ainda é inconsistente. Teve grande atuação no primeiro tempo e sumiu no segundo. Mas, ele é a chave para este ataque se tornar completo. O Ravens baseia seu jogo nas corridas de Ray Rice e nos passes curtos (médios, no máximo). A partir do momento em que Torrey Smith deixar de oscilar tanto, Baltimore terá a profundidade que precisa para “completar” o ataque. E aí, amigo, vai ser difícil segurar.

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