O título é um tanto quanto efusivo, mas a experiência justifica toda e qualquer hipérbole neste caso.
Produzido pela SAB Sports, o AFAB Coaching Season, workshop sobre futebol americano realizado no último final de semana na UNICID, em São Paulo, foi um evento único até o momento para o esporte nacional e com certeza será um divisor de águas para os rumos do futebol americano no Brasil.
Com a presença dos técnicos Steve Specht, coordenador de defesa da seleção norte americana sub 19 e técnico principal da Cincinnati St. Xavier High School; e Chris Merrit, técnico principal da seleção norte americana sub 19 e da Miami Christopher Columbus High School, o workshop mostrou a história do futebol americano, apresentou dicas táticas, de formações e de preparação para jogadores, além de promover debates entre os participantes sobre como melhorar o cenário brasileiro deste esporte que todos amamos.
Um Sábado de Expectativas
Logo de cara, o cenário já era de confraternização. Pessoas com uniformes de diversos times do Brasil, de Norte à Sul, conversando, trocando expectativas sobre o evento. Neymar Rezende, do Bulls Potiguares, não escondia a expectativa junto aos outros membros da ANEFA. “Eu espero que nosso aprendizado seja grande, e já que viemos de tão longe, que possamos passar todo o conhecimento aos outros praticantes”.
E abrindo os trabalhos, Paulo Mancha, comentarista da Bandsports e editor do SNAP!, deu uma aula de história mostrando todo o caminho do futebol americano desde sua origem derivada do rugby às modernas técnicas de replay e os avanços táticos presentes no jogo. Em paralelo, os presentes observaram muitas semelhanças em relação à maneira como o esporte cresce no Brasil. “Na parte de organização das partidas, sinto como se estívessemos na década de 20, de 30 em relação à NFL”, declarou Paulo Souza.
O primeiro técnico a dar sua “aula” foi Chris Merrit, que com a ajuda de um retroprojetor e várias transparências, mostrou como uma simples jogada de corrida pode ser executada com cerca de oito formações diferentes, apenas mantendo os mesmos bloqueios. Ainda tivemos a oportunidade de tentar parar o ataque do técnico desenhando nossa própria defesa, mas todos os esquemas defensivos foram superados por Merrit.
Na sequência, Steve Specht mostrou os fundamentos de como construir uma defesa de futebol americano. Expressões como “alinhamento”, “posicionamento”, “chave” e “função” se tornaram parte do vocabulário entre os fãs de grandes defesas, e o conceito do técnico de “seja simples” se mostrou parte importante do trabalho na construção de uma equipe.
O 1º dia de trabalho foi finalizado por uma mesa redonda entre a diretoria da AFAB, Jack Reed, o diretor da IFAF e todos os participantes sobre os projetos para desenvolver o esporte no Brasil. A nova diretoria já se mostrou extremamente aberta à comunicação com todos os presentes, e Jack Reed foi enfático ao afirmar que o foco de todas as equipes tem que ser no futebol americano infantil e juvenil. “A IFAF auxilia os países e equipes que mantém estes projetos, sabemos que é um esporte caro e um dos nossos focos e ajudar a superar dificuldades econômicas e estruturais para estes projetos”, declarou Jack.
Fechando com Chave de Ouro
Em ordem inversa ao Sábado, o treinador Specht iniciou as atividades de Domingo com dicas práticas para melhorar a habilidade dos jogadores durante os tackles. Demonstrações práticas animaram o público e durante todo o tempo o treinador respondia a cada pergunta dos presentes. E atendendo a pedidos, o treinador explicou posição por posição qual o tipo de jogador que o agrada para preencher sua defesa, e foi perceptível um carinho especial ao free safety, que o técnico definiu como “o quarterback da defesa. Tem que ser o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos. Sempre está comigo na definição do gameplan”.
Voltando ao palco, o treinador Merrit focou o ataque aéreo em uma jogada simples de passe, com o objetivo de ganhar poucas jardas mas com alta precisão na recepção. E a palestra foi ficando cada vez mais divertida ao passo que o técnico começou a demonstrar técnicas de arremesso lançando bolas para o público, e convidou todos os linhas ofensiva da platéia a se juntarem à ele durante uma aula sobre posicionamento. Como Steve Specht, o treinador Merrit também revelou o que ele procura em cada posição do ataque, dizendo que nunca viu um quarterback “burro” e definiu sua postura dentro de campo em uma das frases mais marcantes do workshop. “Futebol americano é uma ditadura, não uma democracia. Eu comando meus times, eu escolho as jogadas”, declarou o técnico.
Encerrando o Coaching Season o comentarista da Bandsports e editor do SNAP! Silvio Santos Junior promoveu um novo debate, desta vez mostrando números sobre a pesquisa do Perfil do Fã de Futebol Americano no Brasil. Entre os pontos abordados, ficou evidente a necessidade de uma maior divulgação do esporte e de uma melhora no nível de comunicação das equipes com a imprensa.
O saldo final do workshop foi a vontade de mudar, de crescer, de melhorar. “Para termos um futebol americano forte, precisamos de uma base forte”, declarou Renato Barsuglia, jovem quarterback de 13 anos, confiante com o apoio da IFAF ao esporte juvenil no Brasil. Diogo Kosiski, do São Paulo Storm, não escondeu sua animação com o aprendizado: “Foi maravilhoso, como formando de educação física eu achei muito proveitoso e espero que nos futuros projetos eu consiga agregar meu conhecimento”.
Os técnicos também ficaram felizes com o resultado do Coaching Season. Steve Specht se mostrou orgulhoso dos brasileiros, declarando emocionado que “há muita paixão. As perguntas, a participação… Todos queriam aprender, todos queriam melhorar e esse é o primeiro passo. Quando você tem esse direcionamento, você está fazendo a coisa certa. Eu quero muito ver o esporte crescer no Brasil, foi muito bom participar deste workshop”.O treinador Merrit foi profético, e afirmou que “pela minha experiência, eu vejo um esporte jovem querendo crescer. Vocês estão no caminho certo, e com alguns ajustes, o céu será o limite”.
N.E.: As fotos “profissionais” estão sendo providenciadas, as fotos do post estão em tamanho reduzido em virtude de sua qualidade.


5 de abril de 2011 em 08:12
Fantastica matéria , pena não ter podido comparecer ao evento. Continuem com o otimo trabalho do Snap!
5 de abril de 2011 em 12:06
Minha inveja eterna aos que foram, tenho certeza de que o FA vai crescer de uma forma incrivel agora e que todo esse planejamento irá render grandes frutos ao esporte.
5 de abril de 2011 em 17:01
INESQUECÍVEL!!!!!!!!!!!!
Belíssima matéria! Levantou pontos marcantes! hahah
Gde abs Sr ZOLIN!!
Diogo Kosiski
13 de abril de 2011 em 10:59
Muito boa a matéria não estive presente ao evento porisso tenho uma dúvida, nas palestras dos treinadores americanos existia a tradução para os que não dominam o inglês.Obrigado!!
13 de abril de 2011 em 11:38
Gean,
Sim, nosso amigo Danilo Muller estava presente e foi responsável pela tradução simultânea das palestras dos técnicos americanos.
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