No dia 14 de maio, debaixo de muita chuva, a LINEFA teve seu pontapé inicial com clássico pernambucano entre Mariners e Pirates. Cinco meses e vinte oito dias se passaram e hoje teremos a grande final na capital paraibana, João Pessoa. Esta foi a primeira edição da Liga, que conta com duas divisões. Na divisão norte os cearenses Dragões do Mar e Cangaceiros e os potiguares Bulls e Scorpions se enfrentaram pelas duas vagas da pós-temporada. Já na sul o pernambucanos Mariners e Pirates se juntaram aos paraibanos do Espectros e formaram a divisão sul. Nos playoffs as equipes do Espectros e do Scorpions, primeiros colocados em suas chaves, receberam Dragões do Mar e Mariners respectivamente.  Os times da divisão sul se sobressaíram e se reencontram na grande final. Em João Pessoa os cearenses do Dragões do Mar perderam por 21 a 0 e em Natal o Mariners superou o Scorpions por 20 a 12.

Nos confrontos da primeira fase a equipe da Paraíba teve dois triunfos. Na cidade do Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, o placar foi de 7×2, onde Silvio Santos Jr. narrou o embate e São Pedro fez questão de comparecer atrapalhando muito o jogo para os ataques. Já na volta em João Pessoa, com os dois times classificados, o sol marcou presença e a vitoria foi mais elástica: 34 a 7. Desta vez o Mariners quer fazer diferente, já  o Espectros quer manter o histórico contra os adversários. Para nos contar melhor como foi a preparação dos times e o que é esperado para o futuro da liga conversamos com o diretor e guard do Espectros, Felipe “Server” Jardim e com o Head Coach do Mariners, Lucas Cisneiros.

Após seis meses de competição o que falta para os times do NE jogarem um campeonato nacional?

Felipe "Server" Jardim

Felipe Jardim – Todos sabemos que a maior dificuldade é o deslocamento o que torna qualquer torneio nacional quase inviável. Passagens aereas mais baratas ou patrocinadores que cobrissem o custo do deslocamento já tornaria possível a participação de qualquer time do Nordeste em qualquer competição nacional. A LINEFA mostrou-se competente realizando os jogos, e demonstrando a força que o esporte conquistou na região Nordeste, agora vamos buscar em conjunto com a AFAB a melhor solução para o campeonato nacional. Acima de tudo acreditamos na AFAB e no futebol americano do Brasil.

Após 4 anos de invencibilidade, como se manter no topo?

Felipe Jardim – A equipe toda não pensa no retrospecto, quando se entra em campo o recorde que construimos fica na arquibanca, com a torcida. Quando a partida inicia com o placar é 0×0. Então a motivação de cada vitória é que fortalece a equipe para cada novo desafio. Invencibilidades existem para serem quebradas, enquanto a nossa não chega vamos enfrentando todos adversários da mesma forma.

Como foi a divulgação da final?

Felipe Jardim – O empenho dos membros da equipe em divulgar essa partida foi fantástica. As emissoras de TV da cidade vem abraçando o evento de forma jamais vista. Midias sociais que sempre foram fundamentais para o futebol americano continuam nos ajudando bastante. Realmente esperamos que a final levante a bola de futebol americano e aumente nossa visibilidade e possiveis patrocinadores.

O que o Espectros mais teme no adversário?

Felipe Jardim – Recife Mariners é uma das equipes mais técnicas do futebol americano nordestino, mescla jogadores experientes com novos talentos. Com toda certeza o ponto forte deles são os especialistas de Punt e KickOff, sempre posicionando a equipe no campo adversário.

Na sua opinião qual é o ponto forte da sua equipe e quem são os destaques?

Felipe Jardim – A variação do plano de jogo (game plan), esse ano em especial preparamos um ótimo livro de jogadas (playbook) que nos possibilita variar tanto do jogo corrido como jogo de passes. É dificil não destacar a equipe como uma unidade, mas na sideline temos Brian Guzman no comando de nossa comissão técnica. Defensivamente os capitães Igor Nery (ILB)  e Edvaldo Rosas (FS) nos dão tranquilidade. Ofensivamente três grandes jogadores Rinaldo Mitref (QB) e Icaro Morais (RB/WR) além do Alison Morais (RB) que vem causando terror as defesas adversárias.

Após 6 meses, os times nordestinos estão prontos para jogar com o resto do Brasil?

Lucas Cisneiros

Lucas Cisneiros – Dentro das quatro linhas, tenho certeza que sim. A grande maioria dos times da LINEFA hoje já tem condições de competir com qualquer time do país e fazer bonito. Quanto as questões de organização e política, não me envolvo com isto diretamente, não cabe a mim dentro da hierarquia que temos no Mariners e sim a diretoria e presidência.

Qual é a grande diferença entre comandar dentro das quatro linhas e comandar na sideline?

Lucas Cisneiros – A preocupação com a estrutura geral da equipe. Como quarterback e capitão eu tinha um grupo de comandados com um objetivo muito específico em comum. Já como treinador partimos para uma abordagem muito maior do time de futebol americano. Deve-se levar, constantemente, em consideração as três fases do jogo e a preparação do time para executar bem nelas, fora o administração do tempo e ritmo de jogo geral da equipe. É ai que precisamos contar com uma equipe eficiente e de confiança, como a que tenho sorte de ter no Mariners com os coordenadores de ataque, Lucas David, defesa, Murilo Avelino e times especiais, Julio Adeodato.

Em 4 jogos contra o Espectros o Mariners perdeu todos, por que será diferente dessa vez?

Lucas Cisneiros – Resultados anteriores podem ser interessantes para analistas, jornalistas e para quem torce. Mas nós da comissão técnica procuramos sempre passar para o grupo a importância de seguir a nossa rotina para todos os jogos: o pré jogo, o jogo em si e o pós jogo, aonde corrigimos o que deu errado e passamos a somente olhar para o próximo adversário, iniciando um novo pré jogo. Se as correções forem bem estudadas e executadas e tivermos um bom pré jogo, sempre estaremos bem preparados para nosso próximo desafio e, desse modo, realmente não faz sentido ficar se preocupando com o números do histórico contra qualquer time.

O que voce mais teme no adversário?

Lucas Cisneiros – Acredito que a palavra temer não seria a ideal, mas o melhor do Espectros é que eles são um grupo fisico e tecnicamente bem trabalhado nas três fases do jogo, isto exige de qualquer time que os enfrente um jogo sem grandes oscilações de performance, precisamos contar com uma execução de alto nível, nas 3 fases, durante os quatro quartos.

Qual seria o ponto forte do Mariners e quais são os jgadores que mais se destacam?

Lucas Cisneiros – O ponto forte do Mariners é o modo como os atletas acreditam que no futebol americano a tática e o trabalho em grupo são os fatores ideais para o sucesso constante e de longo prazo, justamente por isso o grande destaque do time é a valorização que os atletas que mais aparecem dão ao grupo inteiro. É impossível ignorar os números e jogadas plásticas de alguns atletas como o nosso RB Frajola e nosso LB  Lacraia, mas eles mesmos atribuem a maior parte do seu sucesso ao modo como seus companheiros os colocam em posição favorável para realizar suas jogadas.

Se estiver em João Pessoa vá até o estádio da Graça e apóie o futebol americano nacional, mas se isso for inviável o jogo será transmitido pela internet através do site www.transmitaonline.com . Os ingressos custam apenas R$ 5,00 e o jogo começa as 16:00.