
Hoje, o Futebol Americano no Brasil vive um grande Boom. Quem leu minha coluna no Guia de Futebol Americano 2010, sabe quais são minhas idéias. Mas todo Boom, no fundo, tem característica de bolha, ou seja, eventualmente estoura. E quando estoura somente aqueles que realmente sabem o que estão fazendo sobrevivem. Os aproveitadores são sumariamente executados, chutados, não importando quanto tempo eles acreditam que tenham de experiência. Basta lembrar a primeira metade da década, quando a maior das bolhas da história recente estourou, a Internet. O chorôrô e a quebradeira foi generalizada em todo o mundo.
Com proporções bem menores, mais ainda catastróficas, é assim que enxergo o futuro do Futebol Americano no Brasil. Aproveitadores, pseudo-especialistas, especuladores e amadores serão dizimados da face do Mundo da Bola Oval. Para o bem ou para o mal, muita gente que ocupa “cargos importantes” será exterminada. Eu estou trabalhando para validar minha posição, meu ponto de vista e dar minha contribuição. E você? O que está fazendo para afirmar sua posição?
Em minhas andanças pelo mundão do FA, conheci muita gente, conheci de pertinho as várias faces do esporte brasileiro. Estive no Amazonas, Pernambuco, Mato Grosso, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, no Interior e na Capital Paulista. E em minhas visitas, muitas delas trabalhando pelo movimento, conheci de perto aquilo que, na minha opinião, é a nossa jóia da coroa: o público.
Você sabe quem é o público que curte Futebol Americano?
A última pesquisa séria realizada foi a conduzida pelo Orlando F. Júnior, da AFAB e da LBFA. Com critérios e perguntas claras, objetivo definido e metodologia de análise compreensível, esta pesquisa é hoje a peça mais importante para entendermos “quem somos” e como chegaremos a algum lugar, seja ele qual for.
Diversas pessoas, empresas, instituições fizeram parte da construção e da obtenção dos dados desta pesquisa, o que dá grande validade ao resultado final. A AFAB, LBFA, nós do SNAP!, a ESPN, o Diário NFL entre outros divulgaram a pesquisa que construiu “nosso perfil”.
Numa ação sem precedentes na história do esporte, coletamos 2.452 respostas vindas de todo Brasil. Só para efeito de comparação, as pesquisas presidenciais ouvem em média 2.500, 3.000 pessoas. Ou seja, nossos dados são confiáveis e bastante representativos.
A grande maioria dos fãs de futebol americano está abaixo dos 29 anos, ou seja, fazem parte da Geração Y. Por isso, entender “quem” faz parte dessa Geração, quais seus anseios, sua maneira de funcionar, como trabalhar com ele, como envolvê-lo é fundamental para quem quer se aventurar no Mundo da Bola Oval.

Olhando para o cenário atual, a grande maioria das empresas ainda não enxergou o real potencial deste nicho de mercado e ainda prefere continuar trabalhando como se o público da NFL tivesse mais de 100 anos. Até mesmo quem deveria estar faturando alto com esse produto, por total falta de interesse, ainda não sabe comercializar a NFL no Brasil. E vamos ser sinceros, quem ainda não sabe como comercializar um produto destes está fadado ao fracasso generalizado: comercial, intelectual, de exposição, de faturamento, de posicionamento de marca. Essas empresas estão determinadas a serem esquecidas!
No entanto, em meio a um marasmo gigantesco com relação à NFL e aos fãs de Futebol Americano brasileiros, o case da ESPN (que eu chamo neste post de Case ESPN – #NFLnaESPN) é digno de nota, estudo e exemplo a ser seguido. A transmissão dos jogos noturnos pela ESPN tem gerado um buzz gigantesco no Mundo da Bola Oval, mas interessante mesmo é que este barulho está repercutindo fora do nosso universo. A ESPN soube aproveitar tudo o que o fã de Futebol Americano Brasileiro representa: juventude, educação, de perfil sócio-econômico elevado, disposto a gastar e a investir por qualidade!

Baseado nesta pesquisa, que ouso chamar do Censo da Bola Oval Brasileira, notamos que 94% do público que respondeu à pesquisa está entre as classes A1, A2, B1 e B2. E para que fique claro, o critério usado para coleta e apuração são os mesmos usados pelo IBGE.
Só quem é cego não enxerga o potencial desse mercado!
Naturalmente, com o alto perfil sócio-econômico, vem também um alto grau de escolaridade. Cerca de 56% do público que respondeu a pesquisa possui Formação Superior, Pós-gradução e Mestrado.

Isso é surpresa para você?
Não é para mim! É só pararmos e pensarmos um pouco: o Futebol Americano é um esporte complexo, de difícil entendimento, que requer miolo, massa cinzenta e ATPs para seu completo entendimento. É natural que desperte o interesse, em sua maioria, de quem gosta de usar o cérebro.
E, se quem curte usa o cérebro, quem transmite, vende ou “faz” o esporte no Brasil também precisa usar. O que nos leva ao case ESPN – #NFLnaESPN.
Estudando o case ESPN – #NFLnaESPN
Em 2010, com o advento das mídias sociais, em especial, do Twitter, a ESPN, naquilo que me parece (pois não estou lá, estou fazendo este estudo de caso de curioso, pelo exercício, e como telespectador) ser um reflexo do entendimento do perfil do público que curte o Futebol Americano, criou a hashtag #NFLnaESPN. (Para quem não sabe, uma hashtag é uma maneira de identificar um conteúdo específico em meio a tudo que está sendo criado, compartilhado e transmitido via Twitter. Normalmente, é uma palavra ou frase curta precidido do simbolo #.)
Totalmente alinhados com a cultura do público formado pela Geração Y, os profissionais que fazem a transmissão do jogo constantemente incentivam seu público a postarem seus comentários sob a hashtag #NFLnaESPN. Como já era de se esperar, a hashtag chega, com certa facilidade, ao Topo do Ranking das palavras mais faladas dentro do universo do Twitter brasileiro.
Como o Twitter é a bola da vez, empresas, agências e profissionais do setor de propaganda e publicidade estão constantemente monitorando esse tipo de ranking. É do interesse deles saber o que o consumidor brasileiro pensa, fala, consome, assiste. E aquilo que era, num primeiro momento, uma forma de se comunicar com os profissionais da transmissão e ter seu nome falado no ar, virou, sem causar dano a ninguém, um indicador do sucesso que é a transmissão dos jogos da NFL, do tamanho, da força e das características do público que assiste aquele evento. E quem trabalha com mídia já percebeu este poder e passa a buscar a empresa, no caso a ESPN, para anunciar seus produtos.
Quero ressaltar que mesmo sendo um estudo de caso meio às escuras, muita coisa do que falo veio da observação das estratégias desse canal. Pois muito antes do Twitter chegar com força, era no blog do canal, que a comunicação era feita. Ou seja, a ESPN usa, deliberadamente, formas de se comunicar com seus assinantes que sejam de fácil auditoria, de fácil monitoramento por ferramentas validadas pelo mercado. É simples medir sua audiência na Internet, e é lá (ou melhor, aqui) mesmo que a coisa tem que ser mensurada. Afinal, estamos falando da Geração Y, que está constantemente conectada, seja no note, no celular, no netbook, no iPad.
E pra mim, isso é tão genial, pois além de gerar um buzz pro canal e pro esporte, eles devem ter gastado algo que tende a R$0,00 (zero reais)!
Isto porque, eles devem ter usado…
- O Twitter é gratuito.
- Uma plataforma de blog é gratuita, quando muito custa pouco mais de US$ 300/ano (que é o que pagamos no Snap!)
- Um designer, que já é contratado da empresa.
Fazendo esta conta, para assumir o Topo do Ranking dos Trending Topics Brasil, nas minhas contas, a ESPN gastou uns US$ 500 a mais do que gastaria se não fizesse nada. E com isso, míseros R$850, ela assumiu o posto de casa da NFL, liderando o TTBrasil, gerando um volume maciço de acessos ao seu site durante as transmissões.
E não me entendam mal, audiência é fundamental, é importante, é sagrada. Deve ser respeitada e venerada. Mas só por um motivo, para gerar receita por meio de propaganda. A ESPN foi genial ao entender e dar ao seu assinante exatamente o que ele queria. Ela viu quem era seu público, ela deu importância para ele. E por essa inteligência, está, eu espero, recebendo os dividendos.
Foram apenas R$ 850 e cérebro! Ah! E um pouco de boa vontade, afinal, alguns profissionais “compraram” a idéia e saíram da sua zona de conforto para fazer um projeto desses acontecer.
Outras empresas ainda teimam em ficar de fora da era da informação.
Enquanto isso…
Hoje, o Futebol Americano ajuda a mover a economia do Brasil. Nós estamos contribuindo com o crescimento e desenvolvimento do país. O Futebol Americano é muito mais do que NFL, LBFA e etc. Estamos falando de desenvolvimento do Brasil.
De novo, é só pararmos para pensar: quanto gasta um time para sair do Rio de Janeiro, viajar até Cuiabá, para jogar 1 simples partida?
Fazendo as contas…
Se a 15% do time decidir passar a noite na cidade, podemos incluir hotel e alimentação, certo? Um hotelzinho 2 estrelas sai por uns R$ 50 a diária, portanto, uns R$ 300 de estadia e mais uns R$ 200 de alimentação (pra ser econômico, porque jogador de FA come pra caramba!)
Um jogo válido pela LBFA, sem dar muita atenção aos números, gera aproximadamente:
Transporte: R$ 8.760 + R$ 2.600 = R$ 11.360
Estadia & Alimentação: R$ 300 + R$ 200 = R$ 500
No total, um jogo interestadual da LBFA movimenta R$ 11.860.
Quantos jogos nós temos por temporada? Faça as contas…
Pra finalizar…
… retomo o que falei na abertura, estamos vivendo um boom, cheio de características de bolha. A hora de estabelecer, de mostrar que é capaz, é agora! Faça as coisas com paixão, com amor, dedicação e tenha certeza de que você estará entre aqueles que colherão os bons frutos. Pois se este é o primeiro passo e já temos tanta gente competente trabalhando, não vai demorar muito até os acomodados sejam convidados a se retirar!



